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Superlotação foi tema de manifesto entregue às secretarias do Estado e do município.
Mudanças urgentes para amenizar a ocupação do pronto-socorro do Hospital Municipal São José. É o que pedem plantonistas da unidade. Durante coletiva de imprensa na segunda feira, dia 16 de janeiro, profissionais fizeram a leitura de uma carta que foi entregue aos secretários de saúde do município e do Estado. Segundo eles, é preciso fazer alguma coisa para diminuir a superlotação do pronto-socorro, que possui 43 leitos, mas tem trabalhado com uma taxa média de ocupação de 90 pacientes por dia. Problema que eles atribuem, em parte, às deficiências em toda a rede pública.
Os plantonistas reclamaram, principalmente, da falta de médicos no Hospital Regional Hans Dieter Schmidt, que estaria sobrecarregando a emergência do São José com pacientes com doenças em que o Regional é referência – áreas de cardiologia, gastroenterologia, nefrologia, pneumologia e infectologia, por exemplo. “Na semana passada, quando a emergência do Hospital Regional estava sem clínicos, só no meu turno de plantão chegamos a receber 105 pacientes, três deles infartados, trazidos pelas equipes de socorro”, relata o enfermeiro-chefe interino do PS, Arnoldo Boeg Junior.
“A situação está insustentável. Não dispomos dos equipamentos necessários para prestar o melhor atendimento a pacientes com cardiopatias. Não temos, por exemplo, como fazer cateterismo, e isso acaba demandando um esforço da equipe médica, que deveria estar concentrada no atendimento de pacientes graves nas áreas em que somos referência, como traumatologia e neurologia”, ressalta a médica Ana Letícia Dalcin Lago, chefe interina do pronto-socorro.
Os plantonistas presentes na coletiva, que representavam os 150 profissionais que atuam no pronto-socorro do São José, garantem que nenhum paciente fica sem assistência. “Como estamos trabalhando acima do limite, o que temos feito é remanejar pessoal de outros setores, adiando férias e fazendo horas-extras (por meio de banco de horas) para conseguir atender aos casos graves”, diz Boeg. Mas a direção do hospital reconhece que os casos menos urgentes, muitas vezes, precisam aguardar mais de quatro horas para serem atendidos. Por isso, os plantonistas também aproveitaram a ocasião para pedir a compreensão da comunidade, para que procurem o São José somente em casos que requerem atendimento hospitalar.
Quanto às eventuais demoras na liberação de leitos, devido à espera por exames e cirurgias e que acabam representando mais pacientes no pronto-socorro, o gerente técnico do São José, Jorge Wünsch, diz que o hospital está agilizando a realização de exames e que “os pacientes hoje permanecem mais tempo no pronto-socorro por causa da gravidade dos casos (e não em função da demora dos procedimentos)”.
AN.com.br
MARIANA PEREIRA
Confira o manifesto na íntegra:
Prezados Srs.
Nós Médicos, Enfermeiros, Técnicos e demais Profissionais do Pronto-Socorro do Hospital Municipal São José, com missão diária de atendimento das urgências e emergências aos Usuários do Sistema Único de Saúde, sobrecarregados com a frequente falta de plantonistas clínicos no Pronto-Socorro do Hospital Hans Dieter Schmidt, não entendemos como ainda não foi solucionado este problema por ambos, compromissados com os interesses da população.
1 É do conhecimento de todos que o pronto socorro do HMSJ é referência municipal e regional para atendimentos a pacientes de trauma – os acidentes infelizmente têm aumentado muito em nossa região -, Nefrologia, Oncologia e Clínicas diversas. O espaço físico do nosso pronto-socorro há muito tempo está estrangulado – aguardamos ansiosamente o término da obra e o funcionamento do Complexo Ulisses Guimarães.
2 O outro elo da rede de urgência e emergências é o pronto socorro do Hospital Regional Hans Dieter Schmidt, referência municipal e regional no tratamento de Cardiologia clínica e cirúrgica, Gastroenterologia, Nefrologia, Pneumologia, Infectologia, entre outras especialidades.
3 Apesar dos nossos esforços no atendimento à pacientes como: infarto agudo do miocárdio, outros com descompensação cardiopulmonar, ou renal, ou hepática, entre outros, existem dificuldades técnicas – não temos os mesmos recursos especializados do HRHDS para estes tipos de patologias –, além da falta de estrutura – espaço físico. Como consequência, trabalhamos sob pressão permanente, com uma sobrecarga que nos afeta física e emocionalmente.
4 Sentimo-nos como quebra galhos de rotina, pois isto vem ocorrendo há anos e só tem piorado nos últimos meses. A situação está insustentável. O Hospital Hans Dieter Schmidt precisa precisa normalizar o atendimento clínico em seu pronto socorro.
5 Por outro lado, nos solidarizamos com os colegas do pronto socorro do HRHDS, que apesar da pressão diante da falta de profissionais e equipes incompletas, ainda mantêm-se, num esforço sobre humano, no atendimento. Sabemos como se sentem, pois somos elos da mesma rede SUS e isoladamente não superaremos esta situação.
6 Queremos que os mais de quinhentos Cidadãos que sofrerão neste ano de infarto agudo do miocárdio e que usam o SUS, assim como milhares de atendimentos de urgência e emergência que ainda ocorrerão, tenham atendimento de primeiro mundo, já que a cidade de Joinville dispõe de excelentes profissionais, equipamentos e tratamentos adequados.
Drs Dalmo Claro e Tarcisio Crócomo, hoje exercendo a função política de Secretários de Saúde, Joinville e região precisam que o pronto socorro do HRHDS trabalhe com as equipes completas e de forma integral. Este elo da nossa rede SUS deve ser restabelecido e fortalecido, sob pena de comprometer cada vez mais a qualidade dos serviços aos nossos usuários, seja no HMSJ ou no HRHDS.
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